Após ler o post Tux Guitar sem som Ubuntu 10.10 resolvi instalar o TuxGuitar e voltar a tocar! Mas quando fui plugar meu baixo no computador para acompanhar as músicas, percebi que não seria tão trivial como parecia! Pesquisando um pouco na Internet encontrei algumas alternativas para isso. E como forma de facilitar compartilho neste post uma alternativa simples para fazê-lo.

Com o intuito de mostrar alternativas aos software proprietários para estudar e fazer música no computador, este é o primeiro post da série Estudando e fazendo música no Ubuntu, onde será mostrado como instalar e configurar os softwares JACK Control, Qsynth e TuxGuitar para estudar música utilizando somente o computador e uma guitarra ou contra baixo!

Capturando o áudio

Para capturar o áudio vindo do microfone ou line-in basta instalar o JACK, que funciona como um roteador de áudio e midi, que faz o link de uma fonte de áudio com uma ou mais saídas, e vice e versa. Como não queremos ter que configurar tudo a moda antiga, via console, é bem sensato instalar uma interface gráfica. A interface JACK Control, baseada no QT 4.2, é a mais utilizada e conhecida para isso.

Para quem tem preferência pelo GTK,  no GTK-APPS.ORG existem algumas alternativas, como o JACK NetSource GUI e o JACK Network Manager, porém estas são opções mais exóticas, onde é possível rotear fontes de áudio em uma rede de computadores.

É muito simples instalar o JACK, já com o JACK Control no Ubuntu. Basta abrir o Ubuntu Software Center e procurar por JACK, e instalar o JACK Control. Com isso já podemos “plugar” a guitarra ou baixo na entrada de microfone e “rotear” o som do capture_1 para o playback_1 e playback_2 para o som do instrumento, que é mono, sair nos dos dois lados do fone.

O problema agora é regular a altura do som para não saturá-lo e sair com overdrive horrível. Para facilitar isso, pelo menos visualmente, existe o plugin JACK Meterbridge, que não é nada mais que uma janela com opções de medidores analógicos ou de onda da entrada de áudio. A sua instalação é semelhante ao JACK Control, basta procurar por Meterbridge no Ubuntu Software Center e instalá-lo.

O funcionamento do JACK Meterbridge é bem simples. Ele cria dois clientes no JACK, um para entrada e outro para saída de áudio. Porém para facilitar, basta iniciá-lo após rotear a entrada de áudio para as saídas. Desta forma o JACK Meterbridge já faz a ponte no seu roteamento automaticamente, como mostrado no screenshot abaixo, a fonte de som capture_1 fica ligada às pontes meter_1 e meter_2, e as pontes monitor_1 e monitor_2 são ligadas às saidas playback_1 e playback_2.

JACK Control + Qsynth

JACK Control + Qsynth

Tocando junto com o TuxGuitar

Para aprender as músicas utilizando o TuxGuitar, a dica do Vivas para fazer o som do TuxGuitar funcionar no Ubuntu é muito boa. Porém para fazê-lo funcionar simultaneamente com o Jack, não da certo, pois o Jack não consegue capturar a fonte de audio do Java, ou pelo menos não consegui fazê-lo.

Para o TuxGuitar funcionar é preciso instalar o FluidSynth, que é um com sintentizador de áudio em tempo real. E para facilitar o controle dele uma interface bem conhecida e utilizada, e também baseata em QT 4.2, é a Qsynth. A instalação do FluidSynth com o Qsynth segue o mesmo padrão no Ubuntu. Basta procurar por Qsynth no Ubuntu Software Center, selecionar o Add-On Fluid (R3) General Midi SoundFont (GM), que é o banco de sons para MIDI, e clicar em instalar.

O único detalhe a ser observado é que, para o Qsynth possa funcionar corretamente é preciso que o JACK esteja rodando. Desta forma, ao ligar o Qsyth, ele já é roteado automaticamente no JACK através das entradas qsynth leftrigth, como podemmos vemos no screenshot acima.

Agora para o TuxGuitar usar o sintetizador FuidSynth como gerador de sons das suas partituras, devemos instalar o plugin tuxguitar-fluidsynth. Da mesma forma que os outros softwares, basta procurar por ele no Ubuntu Software Center e instalar.

Instalado o plugin e rodando os softwares necessários, Qsynth e JACK Control, devemos configura as preferências de áudio do TuxGuitar selecionando como porta MIDI, a opção Synth Input port (Qsynth1:0), como mostrado no screenshot abaixo.

TuxGuitar Sound Preferences

TuxGuitar Sound Preferences

Agora sim, com toda parafernália de áudio instalada e rodando, podemos tocar simultaneamente com o TuxGuitar no computador, utilizando a entrada de microfone.

TuxGuitar

TuxGuitar

Parece complicado estudar e fazer música no Linux, mas não é tanto assim. Foi mostrado neste post que precisamos de um software para capturar o áudio do seu instrumento e das outras fontes de áudio (JACK Control), um software para sintetizar MIDI (Qsynth) e o TuxGuitar para tocar as partituras/tablaturas. No próximo post da série Estudando e fazendo música no Ubuntu será mostrado como gravar sua guitarra ou contra baixo com efeitos no Ubuntu.

Com base no post Give your programmers professional tools do blog Zen and the Art ofProgramming e em vários posts do blog Efetividade.net, percebi que as empresas ligadas a TI, mais especificamente ligadas a desenvolvimento de softwares e sistemas, trata seus profissionais de forma não tão profissional.

Quando falamos em ferramentas profissionais, a grande maioria de nós logo pensa em processos modernos, frameworks da moda, IDEs cheias de plugins e outras parafernálias relacionadas a software e nos esquecemos do essencial antes disso tudo: o hardware! Porém, neste ponto mais uma vez, pensamos de forma simplista e equivocada, pois logo nos vem a cabeça o computador com N núcleos e X GB de memória, nos esquecendo totalmente de onde iremos passar 8, 10, 12 horas diárias trabalhando.

Mobiliário inadequado, iluminação precária, ambiente barulhento e temperatura desregulada são alguns dos problemas que a grande maioria das empresas desprezam, ou se esquecem na hora de produzir a “solução perfeita” para os seus clientes.

Comparando o desenvolvimento de software com outras áreas por onde me aventuro de forma amadora, as cifras são absurdamente diferentes. Enquanto no ciclismo profissional brasileiro e sul-americano, não é difícil encontrarmos bicicletas de 15, 20, 30 mil reais, e no mercado da música é muito comum vermos músicos freelancers com instrumentos de 5, 10, 15 mil reais, sem contar o resto do equipamento de ambos mercados, no mercado “profissional” de desenvolvimento de software os gestores acham um absurdo “gastarem” 400, 500 reais com cadeiras de boa qualidade, ou mesmo 4, 6 mil reais com computadores mais potentes ou mesmo 1 mil reais com monitores lcd de alta resolução para os desenvolvedores.

O grande problema é que muitos empregadores de TI se esquecem, ou não enxergam, que gastos com equipamentos de boa qualidade é investimento em motivação e qualidade de vida para os profissionais que eles empregam. E que motivação e boas condições de trabalho são alguns fatores que influenciam no sucesso de projetos.

Impressões sobre o Ubuntu 10.10

Com o recente lançamento do Ubuntu 10.10, codinome Maverick Meerkat, optei por instalar uma versão nova, from scratch, ao invés de atualizar o sistema, como vinha fazendo desde a versão 8.04, codinome Hardy Heron, como descrevi no post Atualizando o Ubuntu.

Após baixar a ISO do Maverick para 32-bits aqui,  e queimar o CD-R no outro dia, pois infelizmente não havia nenhum CD-R virgem em casa, iniciei a instalação from scratch, que está cada vez mais simples. No meu caso, ainda precisei de alguma configuração extra no post install, pois particiono o disco do computador em 3 partes:

  • Uma para o Sistema Operacional e demais programas, montada na raíz /
  • Uma para os dados dos usuários, ou seja /home/
  • E outra para downloads e maquinas virtuais, que costumo montar em /media/backup/

Instalação

Escolhido a partição correta, o instalador avalia as configurações do computador para prosseguir. Ele pede para instalar conectado na Internet para baixar drivers e pacotes extras. Como não estava com nenhum cabo de rede à mão, fiz a instalação off-line mesmo. Outra coisa interessante nesta instalação são as configurações iniciais, que são realizadas durante o processo de cópia dos arquivos, o que poupa um bocado de tempo.

Tudo pronto, é solicitado que retire o CD do drive para reiniciar o computador. Neste ponto há uma pequena falha do instalador, pois quando abre a bandeja ele informa vários erros de I/O.

Post Install

Maquina reiniciada (não cronometrei, porém achei bem mais rápido que a versão anterior), é hora de fazer as configurações post install:

  1. Achar um cabo de rede e instalar o driver proprietário do wireless.
  2. Inserir os caminhos corretos para as outras partições no /etc/fstab.

Desta vez a dor de cabeça para instalar a placa de rede corretamente foi zero, ao contrário de antes como havia relatado no post Melhorando a qualidade do wireless da placa Broadcom BCM4312 no Ubuntu 8.04. Após instalar o driver, o wireless já estava funcionando e buscando as redes próximas. Bastou então, encontrar minha rede e inserir a chave de segurança. Pronto! Rede funcionando 100% sem precisar configurar nada a mais e sem reiniciar o computador.

Para finalizar, e para reaver as minhas configurações pessoais anteriores, precisava apontar o caminho correto do /home no arquivo /etc/fstab:

# /home on /dev/sda3 manually after installation
UUID=<ID_DA_PARTIÇÃO> /home           ext4    rw,nosuid,nodev,uhelper=udisks 0       0
# /media/backup on /dev/sda4 manually after installation
UUID=<ID_DA_PARTIÇÃO> /media/backup   ext4    rw,nosuid,nodev,uhelper=udisks 0       0

Após desmontar as partições e inserir o código acima no arquivo /etc/fstab e efetuar logout e login novamente, todas as minhas configurações pessoais estavam da forma que deixei antes da nova instalação.

Primeiras Impressões

  • A inicialização do sistema está mais rápida que antes.
  • O pareamento do mouse bluetooth está bem mais rápido. Não chega a ser instantâneo, mas não fico nervoso clicando e mexendo o mouse para ele parear.
  • Todos os microfones do notebook (3 ao todo) estão funcionando de forma separada.

Por enquanto isso é tudo! Encontrando novas dificuldades ou facilidades informo aqui!