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Profissionais com ferramentas amadoras

Com base no post Give your programmers professional tools do blog Zen and the Art ofProgramming e em vários posts do blog Efetividade.net, percebi que as empresas ligadas a TI, mais especificamente ligadas a desenvolvimento de softwares e sistemas, trata seus profissionais de forma não tão profissional.

Quando falamos em ferramentas profissionais, a grande maioria de nós logo pensa em processos modernos, frameworks da moda, IDEs cheias de plugins e outras parafernálias relacionadas a software e nos esquecemos do essencial antes disso tudo: o hardware! Porém, neste ponto mais uma vez, pensamos de forma simplista e equivocada, pois logo nos vem a cabeça o computador com N núcleos e X GB de memória, nos esquecendo totalmente de onde iremos passar 8, 10, 12 horas diárias trabalhando.

Mobiliário inadequado, iluminação precária, ambiente barulhento e temperatura desregulada são alguns dos problemas que a grande maioria das empresas desprezam, ou se esquecem na hora de produzir a “solução perfeita” para os seus clientes.

Comparando o desenvolvimento de software com outras áreas por onde me aventuro de forma amadora, as cifras são absurdamente diferentes. Enquanto no ciclismo profissional brasileiro e sul-americano, não é difícil encontrarmos bicicletas de 15, 20, 30 mil reais, e no mercado da música é muito comum vermos músicos freelancers com instrumentos de 5, 10, 15 mil reais, sem contar o resto do equipamento de ambos mercados, no mercado “profissional” de desenvolvimento de software os gestores acham um absurdo “gastarem” 400, 500 reais com cadeiras de boa qualidade, ou mesmo 4, 6 mil reais com computadores mais potentes ou mesmo 1 mil reais com monitores lcd de alta resolução para os desenvolvedores.

O grande problema é que muitos empregadores de TI se esquecem, ou não enxergam, que gastos com equipamentos de boa qualidade é investimento em motivação e qualidade de vida para os profissionais que eles empregam. E que motivação e boas condições de trabalho são alguns fatores que influenciam no sucesso de projetos.

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Turnover?! Mais uma palavra da moda…

Lendo a matéria “Turnover: quem dá mais?” da BHTI Magazine me bateu uma certa indignação a respeito do que estava escrito na matéria e nos comentários. Já fiz meus comentários na própria matéria, mas como tinha tempo que não postava aqui, resolvi fazê-lo, no tempo que tenho livre e que utilizo para estudar: Tarde da noite.

De um lado, os gestores cobrando mais comprometimento com o projeto, mais espírito de equipe, e outras coisas que todos estão cansados de ouvir. De outro lado temos os programadores e outros funcionários insatisfeitos com seus salários, ambiente de trabalho, jornada de trabalho e muitas outras coisa. No meio disso tudo temos o pessoal do RH tentando engajar os funcionários na cultura organizacional, estimulando o desempenho de cada um, para que todos atendam às expectativas do negócio.

Tirei a última frase deste artigo, que é um case interessante sobre avaliação de desempenho. Agora voltando ao assunto, pontuei a seguir alguns tópicos interessantes que devem ser pensados com calma:

1 – O Mercado

Analisando as opiniões escritas no artigo, e o mercado atual. Vemos que este está favorável para todos profissionais de TI e não só para os programadores, então a tendência é ter mudanças, ou melhor, turnover em todas áreas: infraestrutura, suporte, desenvolvimento, banco de dados, etc..

2 – A influência do ambiente de trabalho

O ambiente organizacional, tanto físico como cultural, é um fator muito importante para os funcionários, que infelizmente muitas vezes não é levado em conta pelos empregadores. Trabalhar em ambientes barulhentos, com temperatura desregulada, iluminação precária, mobiliário já gasto e equipamentos ultrapassados é muito estressante e desmotivante. A boa notícia que este tipo de problema é de fácil correção, e baixo investimento.

Já a adaptação à cultura e valores da empresa é mais complicada. Empresas muito rígidas em relação a horários, comportamento e processos, tendem a ter profissionais com esta cara. Mas a falta de flexibilização também gera estresse e desmotivação nos funcionários, mesmo nos mais rígidos. Neste caso a notícia não é tão boa, pois quem não se flexibilizar irá perder para os mais flexíveis. E isso vale tanto empresas como funcionários.

3 – Seria este um problema de falta de comunicação?

No artigo disseram que a saída de várias pessoas de uma equipe gera inseguranças aos que ficaram, e que, impactos negativos ocorrem quando pessoas mais experientes saem sem pensar nas consequências.  De fato, isso acontece. Mas quando chega a este ponto, os empregadores deveriam ter mais consciência para se perguntarem o que está acontecendo. Onde está a raiz do problema? Na leva de empregados que saíram em busca de melhores colocações no mercado? Ou na empresa onde os bom funcionários não querem mais trabalhar?

Muitas vezes não temos comunicação clara, desprovida de ruídos ou pressões entre as partes envolvidas. Neste caso empregador e empregado. E é nesta grande falha que pequenos problemas não são resolvidos.

4 – Concluindo com um feedback

Acho que os gestores “não querem enxergar” que, somente um “bom feedback” não vai garantir que bons profissionais permaneçam em suas empresas.

O “não querem enxergar” foi proposital, pois na maioria das vezes, quando o pessoal de vendas quebra as suas metas, eles são premiados com boas bonificações, sejam estas em dinheiro, jantares, folga no serviço, viagens, etc.

E o pessoal de TI? O que eles geralmente ganham quando entregam o projeto no prazo? Um “bom feedback”! E não é sou eu que penso desta maneira, assistam a este vídeo do quadro Trend Maker do Olhar Digital.

Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. – Provérbio Chinês.

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Metodologias ágeis para economizar uns trocados

Lendo o artigo “James Shore: O Declínio e a Queda do Agile” no InfoQ, me veio a mente um fato que se passou, ou está passando, em uma empresa de software brasileira.

A empresa resolveu, depois de algum tempo utilizando metodologias tradicionais de desenvolvimento de software, adotar a metodologia ágil, especificamente o tão difundido SCRUM.
Todos adoraram a idéia no início. Porém, depois de um tempo, notaram que a mudança foi boa somente para a empresa. O que aconteceu de errado?

A mudança para a tão esperada metodologia ágil veio, neste caso, para “inglês ver” e para cortar custos nos projetos. Os atuais e futuros clientes ficariam satisfeitos em ver seu fornecedor de projetos de software utilizando metodologias modernas, que estão “bombando” no mercado. Além disso, vários cargos e subdivisões foram extintas, acabando com o “plano de carreira” dos funcionários e aumentando a diferença salarial entre funcionários de um mesmo cargo. O que feito desta forma, gera muita concorrência interna e conflitos desnecessários.

Outro fator que não agradou muita gente foi o fato dos desenvolvedores ficarem agora diretamente ligados aos clientes, seja através de reuniões, e-mail, instant messengers ou telefone. Nem todo desenvolvedor e muito menos os clientes estão prontos para este contato direto. Mesmo utilizando metodologia ágil um filtro mínimo entre os desenvolvedores e os cliente é necessário para melhorar a produtividade da equipe.

O que mais tenho medo nisso tudo é um dos fatos que o James Shore aponta em seu artigo.

Então, infelizmente, muitos auto-intitulados projetos Ágeis fracassarão. Eles estão fracassando neste momento. E eventualmente Agile recebá a culpa, e ela passará, como todas as novidades eventualmente passam.

O artigo completo pode ser lido aqui.

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